Decidiu-se o homem justo por varrer bem o terreno e em certo dia de glória empreendeu tarefa. Logo em princípio foi preciso sanear a natureza impudica dos pássaros e outras criaturas voantes. Animais! Faziam suas necessidades indiscriminadamente e humilhou a todos os seus ninhos. Um homem justo! Posto que seus ovos empesteavam o ar bem como restinhos de casulo ainda molhado, aplicou à mariposas nada além de medidas corretivas. Não há nem que tumultuar. Tinha engenho forte e cavocava uma lama caudalosa, barragens e túneis. Naquela noite ventou e as árvores choraram folhas. Foi preciso esfregar. Na manhã seguinte, o incansável homem justo novamente sacou de sua moral e a madeira cortada acendeu uma enorme fogueira onde pôde queimar tudo aquilo que lhe embebia as vistas. Logo amanheceu verão e não tendo por onde fazer sombra terminou com o sol fustigando os próprios motivos. Água nem pra encher uma lágrima
A terra em carne viva.
a. martins
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