Pode se dizer que o mundo está dividido entre as pessoas que doem a prisão dos pássaros nas gaiolas e o resto. Isso é pensar em termos de oposição como quem mura o mundo, acho pouco, me parece que esfarelando por caridade o concreto se melhor ajunta o chão. Existem também e por merecimento aqueles que reconhecem o canto das aves, nomenclaturando por língua própria os bem te vis, os bonito lindos e os quero queros. Se o nada não existe e o mundo acontece de estrondo, a diferença entre o barulho e a música está na harmonia. Que mestre quem a tem, se não por obra, ao menos por ensaio. Tal e qual as cores que, a propósito, o que são senão composições imprecisas de nossas impressões sob(re) o mundo? Não se pode gralhar veredito de preto e branco, calando para o cinza das próprias rudezas. Certamente há quem acuse ser esta apenas uma questão para enredo e é em exato para esse avaliar que destino o meu ponto de vista já que falar é sentir com o corpo e o corpo pensa em termos de impulso, quanto mais se estreitam as possibilidades do sentir, mais se vai estourando pra dentro. O que eu quero dizer é que, ainda que compartilhando da mesma classificação de gente, existem diferentes tipologias dos gentis. Ou seja, se me suscitasse ser em escala de cão, eu preferiria muito deitar por aí a minha baba lambendo línguas de liberdade a me cercaniar por detrás de portão latindo pra quem passa.
Eu mesma digo tudo isso é por não saber cantar que se eu soubesse, voava.
Mas tu voa tão alto!
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