domingo, 19 de janeiro de 2014

o xis no retrato cívico

Verão. Sol abafado na cancha de bocha. Pança gelada e ovo de vidro. Uma dúzia de homens quando entrou a mocinha. Dali pra frente a cena passou a ser um extrato genérico. Aquele paninho na mesa pra espalhar bem fina a sujeira, sorriso ensaiado, cerveja e cinzeiro. Tanto tempo sem, que o banheiro feminino era uma caverna de pernilongos, abandonado em estado de monumento e fechado em tranca com segredo. Seu Zé era o representante do dono do estabelecimento e era ruim das vistas. Fazendo as vezes da visita, precisou chamar um chegado pra desencadear o cadeado. Era 922 o número, Zé? Olha, parece que era! Ou era 912? Áh é, parece que era isso, é! Liga pro Salvador, Zé. Ih o Salvador, parece, não tá atendendo. Soubesse o número, resolvia. Vamo arromba a porta, Zé?

Tem gente que não só perdeu a chave do quarto que dá pro quintal, como não cultiva sequer o hábito de abrir as janelas. Tão fechado naquilo que nem lembra que xixi de moça é xixi em tudo que é banheiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário